sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O antes e depois da Morte

Interessante (e morbido) trabalho feito pela jornalista Beate Lakotta e o fotógrafo Walter Schels (casados) acompanharam doentes terminais em diversos hospitais de Hamburgo e Berlim, entre 2003 e 2004.
Eles entrevistaram  os pacientes para saber sua opinião sobre ter que enfrentar a morte. Em seguida, tirou fotos de quando eles estavam vivos e depois da sua morte.
Intitulada "Viver mais uma vez antes da morte", sua exposição foi um sucesso , atraindo e emocionando milhares de pessoas em Berna .
Peço desde ja desculpas por não conseguir maiores informações de todos 
Uma delas é a de Wolfgang Kotzahn, atingido por um fulminante câncer no pulmão e no último estágio da doença. "Hoje completo 57 anos. Nunca pensei que ficaria velho e que também poderia morrer tão cedo. Porém, a morte não conhece idade. Só me espanto de ter aceitado isso tão facilmente", revelou. A resignação fez com que Kotzahn abrisse seus olhos para os mais ínfimos detalhes da vida. "Nunca havia dado atenção às nuvens. Agora vejo tudo com muita atenção: cada nuvem na janela e cada flor nos vasos. De uma só vez, tudo ficou importante."
Wolfgang Kotzahn
Os locais de trabalho foram os chamados "Hospizen", instituições comuns em quase todos os países europeus e que, ao contrário dos hospitais, recebem apenas doentes terminais já desenganados pelos médicos. "Quem chega nelas tem a consciência de que o fim chegou", diz Lakotta.
Heiner Schmitz, 52 anos, era executivo de uma grande agência de propaganda em Hamburgo quando os médicos lhe revelaram que o câncer que devorava seu cérebro não tinha mais cura. Foi apenas nesse momento que o autodenominado workaholic descobriu a fragilidade do próprio corpo.
Os detalhes anotados por Lakotta personalizam cada uma das situações, sem cair no piegas. "Os colegas da agência vinham sempre visitá-lo em dupla. Eles tinham medo de ficar sozinhos com Heiner. O que falar com alguém condenado à morte?", conta. Ela também revela que Heiner até era capaz de ser sarcástico. "Eles me desejavam melhoras e diziam – 'Ei Heiner, não se preocupe, pois você logo vai estar de pé'. Ninguém me perguntava como me sentia. O fato é que eu penso todos os segundos na morte. Eu vou morrer!"
Heiner Schmitz
Silke Boehmfeld recusava-se a aceitar seu destino. Essa alemã tinha apenas 30 anos quando o câncer nos seios foi diagnosticado. Logo depois, os médicos descobriam em Jannick, seu filho de seis anos, um raro tumor.
Às vezes, ela perguntava por que Deus cometia uma injustiça tão grande de querer levar, de uma só vez, dois membros da mesma família. Em outros dias, ela juntava forças para cumprir sua promessa: morrer só depois do filho. A luta dos dois foi inglória, mas ela ainda conseguiu sobreviver quatro meses ao falecimento de Jannik.
Não consegui idêntificar qual é a Sile mas esse é seu filho Jannik:
Já Ursula Appeldorn, 57 anos, outra das retratadas, via a situação com outros olhos. Talvez devido à sua avançada demência, ela não percebia que o Hospiz era a última etapa. Depois de ajeitar as bonecas na cômoda do quarto, ela mostrou à jornalista que se sentia em casa. "Antes era doente, mas agora que comecei a tomar medicamentos já estou completamente saudável. Você se incomoda se eu fumar?"
Ursula Appeldorn
Também os pais da pequena Elmira Sang Bastian, um bebê de apenas 17 meses, não compreendiam a lógica divina. "Isso é uma prova? Eu sempre tentei ser uma pessoa boa. Leio todos os dias o Corão e procuro respostas. Ninguém me pode fornecê-las?", perguntava-se a mãe de Elmira.
Ela não compreendia porque a filha nasceu com um tumor enquanto a irmã gêmea era saudável. "Deus me deu duas crianças e agora retira uma de mim?" Quando o bebê parou de respirar, seus pais pareciam conformar-se com o destino. "Pelo menos ela pôde viver", disseram antes de ler a 36ª sura do Corão, a que fala sobre a ressurreição dos mortos, para a filha sobrevivente.
Elmira Sang Bastian
Pelo trabalho realizado, Schels e Lakotta ganharam o Prêmio "Hansel-Mieth" para reportagens engajadas e também o Prêmio Social Alemão. Os retratos também receberam o segundo prêmio no concurso "World Press Photo" de 2004, o Lead Award 2004 e uma medalha de ouro do Clube de Diretores de Arte.
Mais do que o reconhecimento, Beate Lakotta vê na exposição uma contribuição cultural. "Antes a morte era algo comum que ocorria no seio da família. As pessoas vivenciavam-na no seu cotidiano, nas suas casas. Hoje ela ocorre distante dos nossos olhos, nos hospitais ou outras instituições especializadas."
 
Michael Foge
Michael Foge, 50, foi deixado parte-paralisado e incapaz de falar por um tumor cerebral. Sua esposa se comunicava com ele apertando o braço: ". Eu podia sentir sua vitalidade Nós nos divertimos", disse ela. Primeira foto tirada: 08 de janeiro de 2003, morreu 12 de fevereiro de 2003.  
 
 Klara Behrens (2.12.1920-3.4.2004)
Primeiro retrato em 6.2.2004 Klara Behrens já suspeitava que o fim estava próximo. "Às vezes tenho esperanças que minha situação melhore". Ela sonhava em caminhar mais uma vez às margens do rio Elba. Só da morte é que não tinha mdeo. "Eu serei um dos trilhões de grãos de areia no deserto"
 
 
 
 
 
 Maria Hai-Anh Tuyet Cao (26.8.1951-15.2.2004)
Primeiro retrato em 5.12.2003 Provavelmente Maria Hai-Anh Tuyet Cao teria morrido de forma diferente se não tivesse conhecido a mestre Ching Hai. Ela falava: "O que está além desse mundo, é melhor do que tudo que podemos imaginar". Graças à meditação, ela conseguia suportar as dores provocadas pelo cancêr de pulmão. Cao faleceu em paz
 
 Gerda Strech,

Gerda Strech, 68, não podia acreditar que o câncer estava traindo-a de sua aposentadoria suado. Ela foi empregada na linha de montagem em uma fábrica de sabão, e criou seus filhos sozinho. "Toda a minha vida não era nada, alem de  trabalho, trabalho, trabalho", disse ela. "Será que realmente tem que acontecer agora? Morte não pode esperar?" Primeira foto tirada: 05 de janeiro de 2003, morreu em 13 de janeiro de 2003.
 Elly Genthe
Elly Genthe, 83, precisava de morfina para combater a dor de câncer, mas porque os seus rins foram devastados pela doença o efeito da droga em seu corpo era difícil de prever. Até os últimos estágios de sua doença tinha sido uma mulher forte, resistente, que sempre tinha conseguido sozinha. Mas no final ela se viu desejando que a morte poderia vir rapidamente. Primeira foto tirada: 31 dezembro de 2002, morreu 11 de janeiro, 2003.  
 
Edelgard Clavey (29.6.1936-4.1.2004)
Primeiro retrato em 5.12.2003
Edelgard Clavey foi secretária em uma clínica psiquiátrica universitária. Ela nunca teve filhos e, desde sua separação nos anos 80, vivia só. Muito religiosa, ela dizia que "desejava profundamente morrer" e que "a morte seria uma prova de maturidade".

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